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Recados nossos...

Sábado, 27.01.07
    Recados nossos que se perderam, chamas quentes que jamais servirão para aquecer a alma de niguem. Puro egoísmo da memória que não queria ser avivada do que outrora a aquecia. Recados nossos apagados num impulso de não poder se aquecer, jamais(!), com algo de bom... Mas também tinha outro lado, a revolta de não poder voltar atrás e fazer correto, de não conseguir engolir o orgulho e admitir o erro, de por uma vez que fosse sair um pedido de desculpas... Mas assim é o egoísmo.
    Números, letras, datas e frases apagados numa simples confirmação do desejo de esquecer. Mas a memória pega-nos sempre uma partida. A espreita sempre continua a lembrança de algo que sabia tão bem parecendo tão correto. Recados nossos que já não habitam em morada fixa senão perdidos, resistindo ao esquecimento, se escondem na persistência da memória.
    A mente não tem forma de ser apagada, ela apenas pode ser distraida, não existe o botão de confirmação ao esquecimento. Essa tem sempre forma de ser avivada, seja uma música, uma cor, um cheiro, um sabor, um som, um local, uma musica, uma situação, uma palavra, um nome, um sonho, uma leve semelhança e lá se encontra o sentimento que nos aquece ou nos derrota, pois o resto já não importa lá está a falta da lembrança.



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publicado por Ogle às 19:38


1 comentário

De Vae a 28.01.2007 às 00:34

explicaste bem uma coisa (se é que é alguma coisa) inexplicável. encontrar uma coisa no presente que nos pára e desliga por momentos eternos e nos faz viajar atrás.
"recados nossos" antigos para nos fazer lembrar do que fomos, daquilo que nos pertence e está adormecido no recanto apagado da nossa memória, tão fácil de lembrar pelos cheiros, já dizia Fernando Pessoa. uma forma estranha e tão naturalmente verdadeira de tornar tudo mais real. continua :)


"Eu era criança e hoje o não sou; o som, porém, é igual na recordação ao que era na verdade, e tem, perenemente presente, se se ergue de onde finge que dorme, a mesma lenta teclagem, a mesma rítmica monotonia, uma tristeza difusa, angustiosa, minha.
Não choro a perda da minha infância; choro que tudo, e nele a (minha) infância se perca. É a fuga abstracta do tempo (...). É todo o mistério de que nada dura que martela repetidamente coisas que não chegam a ser música, mas são saudade, no fundo absurdo da minha recordação." - Fernando Pessoa (espero que não te importes, e que gostes da passagem tal como eu. lembrei-me dela ao ler o teu texto)

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